Acordo Mercosul – UE deve forçar empresas têxteis à se equiparar ao mercado internacional

Negociação entre ambas as partes foi encerrada em Bruxelas e a esperança é que, com o acordo, exportações brasileiras sejam ampliadas


POR Comunicação Systêxtil, - 25/10/2019

Redução imediata ou gradual das tarifas de importação entre os países europeus e sul-americanosessa é a espinha dorsal do acordo comercial envolvendo Mercosul e União Europeia, concluído no final de junho deste ano durante um encontro entre os comitês negociadores dos dois blocos econômicos, em Bruxelas, capital da Bélgica.

O atual acordo defende a redução gradual de 92% das tarifas aduaneiras dos bens exportados pelo Mercosul para a UE e 91% dos produtos exportados da UE para o Mercosul. Além disso, a negociação prevê que as tarifas de importação e exportação sejam zeradas num prazo de 10 anos.

Segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, hoje apenas 24% das exportações brasileiras para a UE estão livres de tarifas. Caso o acordo se efetive, esse percentual subirá para 95%, tanto para o Brasil como para os outros países do bloco.

Iniciado em 1999, no Rio de Janeiro, o processo sofreu diversos entraves. Do lado europeu, não havia interesse em concorrer contra os produtos agrícolas do Mercosul. Já o Brasil e a Argentina, por anos, evitavam abrir seu mercado em setores industriais. O cenário mudou e hoje, o Itamaraty entende que esse acordo “será desafiador para a indústria nacional, ao mesmo tempo que abre uma relevante janela de oportunidades na qual o país poderá ganhar com a maior possibilidade de importar insumos tecnológicos com preços mais competitivos”, afirma o órgão.


O acordo de livre comércio impacta vários setores econômicos do Brasil, entre eles o têxtil. Segundo o analista de soluções da Systêxtil e especialista da cadeia Neylor Zimmermann, a indústria da moda deve ser um dos beneficiados pelo tratado, entretanto, é necessário se nivelar ao mercado internacional. “Não há dúvidas de que a produção têxtil nacional só tende a crescer nessa abertura de mercado, mas é importante frisar a necessidade das empresas têxteis do nosso país se equiparar com as empresas internacionais, na questão de qualidade, padrão, informação, entrega ágil, tecnologia, entre outros. O mercado brasileiro vai ter que se adequar para concorrer com esses produtos que estarão abertos para nós”, ressalta Neylor.

Festejado por ambas as partes como o “maior acordo de livre comércio da história”, o texto final passa por revisões, tradução para cerca de 30 idiomas e será analisado pelo Parlamento Europeu e os 32 parlamentos dos países envolvidos. A versão final do documento deve ser divulgada no início de 2020. 

Foram 20 anos de negociações até o anúncio oficial, ocorrido em 28 de junho, na Bélgica. (Foto: Olivier Hoslet/Pool Photo/AP)


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