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Qual o segredo dos agilistas para transformar uma empresa?

Transformação Ágil 

Não existe nada que impeça um colaborador ou o próprio dono de “rodar” um novo processo para entregar software com mais qualidade e com recorrência, mas qual o segredo de sucesso considerando que isso envolve primeiramente uma nova cultura? Segundo a agilista Annelise Gripp o segredo de obter sucesso na transformação ágil na empresa esta nas mãos das pessoas que irão conduzir o processo de mudança. Essas pessoas precisam ter perfil de Agentes de Mudança, precisam conhecer a cultura organizacional da empresa e apoia-la na mudança de pensamento para o nova cultura, acompanhamento para desenvolver habilidades e atitudes, espaço na empresa para trabalharem a agilidade, um mentor neutro para orientar (pode ser um consultor ou alguém que já tenha experiência com transformação ágil), um processo que defina a nova metodologia que será adotada com a divisão de produtos/serviços por times e virada dos times para começar a trabalhar com agilidade. É importante ressaltar que ainda temos que manter as pessoas motivadas, integradas e comprometidas com o projeto de transformação. Esses profissionais escolhidos e bem preparados, se tornam defensores da cultura, gerando inclusive melhoria contínua no processo.

Fonte: http://www.annelisegripp.com.br

Para elucidar um pouco a nossa experiência de transformação para o mundo ágil fizemos uma entrevista com nosso scrum master fabio kiatkowski que suscitou o tema em nossa organização.

 

Para iniciar a conversa queremos saber quem é o Fabio na comunidade ágil de software?

Um ouvinte assíduo e um iniciante no quesito de participação. Compartilho muitas ideias e participo discussões sobre cultura, Scrum e Kanban.

Em suas convicções qual o propósito de ser ágil?

Hoje em dia a definição de ser ágil sofreu muitas distorções, então sempre gosto de explicar que meu maior propósito é entregar valor constantemente. Independente de metodologias ou frameworks à serem utilizados, precisamos entregar constantemente valor e fazer com que nossos usuários se sintam empoderados com nossas soluções.

Como você caracteriza que foi o seu papel como agilista no processo de transformação para a nova cultura ágil?

Eu acredito que ajudei a plantar uma sementinha na cultura da empresa, apesar de toda a minha inabilidade com pessoas e a forma de expor minhas opiniões, penso que ajudei a empresa pensar numa forma de evoluir. Vejo que entendemos a necessidade de mudança, porém não chegamos no nível de maturidade desejado ainda, mas estamos nessa direção e isso me deixa muito contente.

Quando a Systêxtil decidiu implantar o uso de metodologias ágeis no desenvolvimento de produtos que barreiras o grupo agilista encontrou e quais delas ainda persistem?

O desejo de utilizar métodos ágeis nasceu a muito tempo e sofremos muito com o conflito de cultura, entendemos que santo de casa não faz milagre e então aceitou-se a proposta da consultoria. Houveram inúmeras conversas sobre esse ponto e uma pessoa que ajudou muito foi o Filipe que era o nosso facilitador nos times de desenvolvimento, depois passou seu bastão para que eu pudesse assumir a função de scrum master com os times dentro do novo modelo ágil, ele com toda a habilidade de mostrar os caminhos possíveis nos conduziu na direção certa. Temos ainda muita briga pela frente para evoluir e conquistar os resultados esperados.

Após a transformação em seu papel de Scrum Master quando foi a última vez que você disse ‘não’ para outro membro da empresa? Como você lidou com a situação? Qual a razão disso? Eles entenderam?

A situação mais relevante foi no processo do Service Desk quando rejeitei alguns assuntos. Quando iniciei as análises rejeitei por falta de informação ou por perceber o furo de procedimento, fui questionado e houve uma argumentação mais calorosa em relação ao acontecimento. A solução foi encontrada no decorrer da conversa, o que despertou novos questionamentos sobre os processos atuais. Devido a nossa maturidade em processos de software não vejo ainda o entendimento da função de um facilitador ágil (Scrum Master, como estamos chamando aqui), mas é notável o esforço que estamos fazendo para evoluir nesse quesito.

Como seu papel se relaciona com os demais do time?

Isso é bem engraçado, porque ainda não me veem como facilitador. Todos respeitam devido ao cunho técnico e ao tempo de casa que tenho, mas em relação ao papel ainda não atingimos a maturidade necessária para entender a função. Tento explicar que uma das minhas funções é elucidar processo e faze-los evoluir, mas temos grande resistência em alguns momentos já que estamos falando de mudar o mindset (pensamento) das pessoas, sabemos que isso leva tempo.

Como é sua abordagem para lidar com Roadmaps de Produto?

Tentamos implementar o roadmap e seguir, mas novamente, a cultura sempre foi reativa de intimidade com o cliente e não é possível mudar isso de uma hora para outra, mas é preciso persistir e fazer a transição gradual, por exemplo, o Roadmap 2018 já será feito dentro do novo modelo e da visão da empresa de liderança em mercado, tendo inclusive um calendário de Releases, é desta forma que abordaremos a evolução do Systêxtil.

Como você organiza/facilita a colaboração entre o time, PO e os stakeholders?

Tenho trabalhado bastante nesse sentido. No primeiro momento, tentei centralizar essa comunicação e tentando moderar quase que todas elas. Percebi que estava sugando muita energia sem necessidade. Entendi que precisava melhorar o fluxo dessas colaborações, foi então que comecei a participar em momentos específicos e deixando a interação entre as partes mais diretas. Obtive melhores resultados nas entregas e também na visão dos papéis envolvidos. Continuo evoluindo nesse quesito e quero voltar a estar mais presente, porém como ouvinte. Mas para ser ouvinte preciso ainda melhorar algumas habilidades e é nisso que estou trabalhando.

Se uma nova feature atrasa drasticamente devido a um problema técnico. Os stakeholders querem-na entregue mesmo assim, devido à quantia que já foi investida. Como você lida com isso?

É uma questão muito abrangente, porém por via de regra, o déficit técnico precisa ser emergido o mais rapidamente pelo time (afinal é para isso que temos as reuniões diárias afim de não haver essa situação. Mas se houver, os envolvidos são comunicados, e como há a necessidade da entrega é visto o impacto e refeito a priorização dos demais itens. Entendo que haverá um desgaste nesse ponto, porém a transparência é um dos principais valores que temos nos métodos ágeis.

Como você lida com bugs x novas features no dia-a-dia?

Entendo que bugs devem ser corrigidos, porém existem bugs que a convivência é aceitável, então é nesse ponto que sempre aplico a questão se isso irá afetar meu resultado final ou irá me gerar uma demanda de tempo tão grande que irá impactar no meu rendimento. Se a resposta for sim, o bug deve ser corrigido para a próxima entrega, caso contrário ele deve entrar no roadmap, repare que falei entrega e não release. A prioridade sempre deve ser novas funcionalidades, até porque é nelas que baseamos nossa evolução.

Como você desenvolve a si mesmo e o seu papel dentro do time?

Procuro investir constantemente em conhecimento e workshops, tenho necessidade de estar estudando e evoluindo. Junto ao time, faço feedbacks constantes da minha atuação. Até ocorreu uma situação muito interessante que um dos times chamou para passar esse feedback, achei isso sensacional e fiquei muito feliz.

Pode nos contar quais são seus planos de conhecimento para os próximos meses no mundo ágil de software?

Lógico, quero participar de um Scrum Gathering Rio na cidade maravilhosa e um workshop de mudança. Infelizmente o Agile Brasil ficou muito caro pra mim. Tem outros eventos menores que sempre estou envolvido, e quase ia esquecendo também estamos preparando um evento mais técnico em Jaraguá do Sul. E ano que vem quero participar do Agile US em San Jose na Califórnia.

A parte mais interessante do trabalho do Scrum Master é o desenvolvimento de pessoas, como você trabalha em seu dia a dia para atuar como facilitador e não um solucionador?

Realmente é fascinante trabalhar na arte de criar software, o aprendizado e o mundo paralelo em que vivemos enquanto estamos criando. Como Scrum Master ver o time entregar e o software evoluir com bugs e com novas funcionalidades é um sentimento único. Ser um facilitador é um desafio muito grande, ainda mais quando você vem da parte técnica e não de humanas. É quase que impossível você não querer solucionar o problema, ou até mesmo entender que o outro deveria saber só porque você sabe. Esse sentimento vem do técnico, do racional. Tento me controlar muito, mas muito mesmo, porque nem sempre consigo ser o facilitador que preciso para desenvolver as pessoas e inúmeras vezes, após uma resposta atravessada ou incompleta, vou até a pessoa peço desculpas assumindo meu erro e oriento o caminho que deve seguir. A transição do racional para o humano é bastante conflitante, mas conheço pessoas que chegaram lá e são profissionais de altíssima performance, então também chegarei lá.

Podemos perceber que o segredo realmente está nas mãos de quem fará a mudança acontecer, para isso os agentes de mudança precisam ter principalmente o apoio da gestão já que o ágil exige a quebra de hierarquias levando o empoderamento e confiança nos times através da delegação de responsabilidade e auto-organização para o cumprimento dos objetivos, além disso envolve diretamente uma forte mudança de pensamento das pessoas e em uma organização onde temos várias culturas e gerações dificulta muito a mudança. Porém, com muita persistência e determinação das pessoas que querem fazer a melhoria acontecer temos certeza de que a transformação será um sucesso!

 

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